A Filosofia

 
O estudo da filosofia, mãe de todas as ciências, sabedoria propriamente humana por excelência, está cada vez mais abandonado e desprezado pelos contemporâneos. As pessoas (as inteligentes e informadas inclusas) nem sequer mais sabem o que é filosofia, qual seu objeto de estudo, qual seu método, qual seu critério de verdade, etc. Por pura ignorância ou má-fé (ou pelas duas juntas), os modernos criaram o ridículo hábito de ligar o interesse pela filosofia à excentricidade, à perca de tempo, mesmo à loucura e ao non sense.
 
Nada mais reprovável, lamentável e digno de pena. A filosofia é absolutamente necessária à condição humana. É próprio do ser humano filosofar e é absolutamente impossível não fazê-lo, como já nos lembrava Aristóteles, no famoso paradoxo de que para concluir que a filosofia é desnecessária é preciso, antes, filosofar. Ninguém, nem o mais rudimentar dos homens, é capaz de viver sem alguma dose de especulação filosófica.
 
O que aconteceu nos dias atuais não foi a extinção da filosofia, mas o desprezo e a consequente completa ignorância sobre a mais excelsa das ciências propriamente humanas. Quase ninguém estuda filosofia, nem procura realizar qualquer tipo de contemplação filosófica, quer pelo simples ato de refletir detidamente em alguma das questões propostas pela filosofia, quer pela leitura dos clássicos do pensamento filosófico. Quando se distanciam do verdadeiro saber filosófico, as pessoas (mesmo as mais inteligentes) tendem a aceitar, de modo irrefletido, qualquer besteira que lhes aparece pela frente. A falta de conhecimento filosófico impõe aos que desse mal sofrem a aceitação das “filosofias” mais estúpidas, irracionais, repugnantes à razão humana. É uma lástima ver pessoas inteligentíssimas, por pura ignorância filosófica, completamente incapazes de compreender as questões mais simples, fazer as distinções mais triviais, trabalhar mentalmente com os conceitos mais básicos. A inaptidão de se especular filosoficamente inutiliza qualquer discussão ou debate sobre alguns dos problemas filosóficos mais elementares, e o corolário imediato disso é a falta de defesa e a consequente aceitação das teorias mais aviltantes ao intelecto humano.
 
O desapreço pelo saber filosófico condena o homem à superstição, sendo paradoxal (e, em certo grau, engraçadíssimo) que os contemporâneos, enfeitiçados pelo progresso da Técnica (que não se confunde com a Ciência) se julguem extremamente “racionais”, quando na verdade são uma horda de selvagens intelectuais e semianalfabetos.
 
A quem desejar ordenar a própria inteligência impõe-se, pois, o dever estudar filosofia e de refletir serenamente, com isenção e sem preconceitos, sobre os problemas filosóficos.. Conhecer um pouco de filosofia é necessário a todos os homens instruídos, e é uma tarefa dura, que exige leitura, reflexão, e muita humildade de reconhecer a própria ignorância. Recomendo dois livros para os inciantes (não só para os iniciantes; eu, que estudo filosofia auto-didaticamente há mais de cinco anos, estou sempre relendo essas duas joias).